Valuation de startups: 10 métodos para calcular o valor do seu negócio

Valuation de startups

Uma das principais características de uma startup é seu potencial de inovação, que visa transformar negócios e produtos no mercado.

Entretanto, ser inovador apenas não é garantia de sucesso. Existem diversos fatores que entram nessa conta e, em um universo de incertezas e busca por escalabilidade, é fundamental encontrar as melhores oportunidades de investimento e aceleração para expandir o negócio.

Com investidores sempre atentos às empresas em crescimento e se destacando no Brasil, apurar o valuation de startups pode ser a diferença entre fechar o melhor negócio para a sua empresa ou vender a startup por um valor abaixo do que ela realmente pode apresentar.

Mas o que é valuation de startups?

O Mapeamento do Ecossistema Brasileiro de Startups, feito em 2022 pela Associação Brasileira de Startups (Abstartups), mostrou que existem mais de 1,7 mil empresas inovadoras no Brasil.

Dessas, aproximadamente 60% ainda não receberam investimentos. Ou seja, mais de mil startups brasileiras estão em busca de sua primeira aceleração ou de um investidor-anjo.

Para encontrar esses investidores, founders precisam apresentar o negócio da empresa e mostrar todo o potencial que pode oferecer ao mercado — e isso vai além de estipular um preço para a marca.

O valuation de startups é a análise que busca somar todos os valores tangíveis e intangíveis de uma empresa e apresentar os resultados aos potenciais investidores.

Diversos fatores como o mercado no qual a startup está inserida e as perspectivas de lucros futuros devem ser levados em consideração na hora de calcular o valuation, o que torna o processo complexo.

10 métodos para calcular o valuation de uma startup

É necessário, portanto, encontrar a fórmula que mais faça sentido para cada tipo de negócio e sua respectiva realidade. É fundamental que os fundadoresda startup saibam comunicar os resultados obtidos para otimizar o pitch na apresentação aos investidores.

Conheça alguns dos principais métodos utilizados para fazer o valuation de startups:

1. Método Berkus

O Método Berkus é uma metodologia de valuation muito utilizada por startups early stage, ou seja, que ainda não geram receita e estão em busca de investidores. Essa metodologia possibilita, de forma simples, estimar o valor da empresa usando como variáveis para avaliação os seguintes fatores:

  • Uma boa ideia (valor básico);
  • Um protótipo (reduzindo o risco da tecnologia);
  • Equipe de gerenciamento de qualidade (reduzindo risco na execução);
  • Relacionamentos estratégicos (reduzindo riscos no mercado);
  • Lançamento ou vendas do produto (reduzindo riscos na produção).

Ao levantar valores para cada um dos fatores, investidores terão informações relevantes sobre empresas que ainda estão se estabelecendo no mercado. Além disso, os gestores da startup receberão um retorno sobre quais pontos necessitam maior robustez para captar recursos nas rodadas de investimentos.

2. Método do Valor Contábil

O valor contábil de uma startup é igual ao seu patrimônio líquido. Basta então calcular o patrimônio e subtrair as obrigações da empresa —como dívidas e folhas de pagamentos, por exemplo.

É possível ainda incluir valores intangíveis nesse cálculo, estipulando valores a ativos que podem agregar à startup, como o quadro societário e a reputação da marca.

3. Método de soma de fatores de risco

Este é outro método de valuation indicado para startups que ainda não apresentam receita. Pode ser considerado uma evolução em relação ao Método Berkus, já que considera 12 (e não “apenas” 5) fatores de risco para fazer a conta, conforme listados abaixo:

  • Risco de Concorrência;
  • Risco de Tecnologia;
  • Risco de Litígio;
  • Risco Internacional;
  • Risco de Reputação;
  • Potencial de Saída Lucrativa;
  • Risco Gerencial;
  • Risco de Estágio do negócio;
  • Risco Político/Legal;
  • Risco de Produção;
  • Risco Sobre Vendas e Marketing;
  • Risco de Financiamento e Levantamento de Capital.

Cada um dos fatores deve ser classificado e pontuado conforme a escala:

  • +2 muito positivo;
  • +1 positivo;
  • 0 neutro;
  • -1 negativo;
  • -2 muito negativo.

Assim, para cada unidade de ponto positivo, serão acrescidos R$ 250 mil ao valor inicial da empresa. Para cada unidade de ponto negativo, R$ 250 mil serão subtraídos.

Para determinar esse valor inicial, é necessário buscar benchmarks de empresas semelhantes da região que participaram de rodadas de investimentos recentes.

Suponha que uma empresa calculou seu valor inicial em R$ 10 milhões e a soma de seus 12 fatores de avaliação foi 4. Isso representa um valuation de R$ 11 milhões para essa startup.

4. Método de Avaliação do Scorecard

Mais uma metodologia que pondera diferentes fatores, a avaliação do Scorecard compara o que uma startup oferece em relação às demais posicionadas no mesmo mercado ou na mesma região.

Ao ponderar os preços, é deve-se estipular valores intangíveis como capacidade da equipe, posição no mercado e até o marketing. Assim, a comparação com a concorrência é feita e pode ser menor, igual ou maior que 100% em cada fator.

5. Fluxo de Caixa Descontado (Discounted cash flow [DCF])

Este método projetará os resultados da empresa nos próximos anos, considerando os resultados como fatores principais do valuation da startup. Ou seja, é um cálculo que analisa a rentabilidade futura da empresa.

No entanto, é necessário observar que a análise deve ser feita de forma precisa, levando em consideração fatores do mercado e tomando como base suposições realistas sobre as taxas de crescimento dos próximos anos.

O método de fluxo de caixa descontado usa uma taxa de retorno esperado para o investimento. Para calcular, é possível usar a seguinte fórmula:

Onde:

  • FC = Fluxo de caixa da startup em cada ano projetado (1, 2, …, n)
  • r = Taxa de desconto
  • RV = Valor residual da startup no final do período de projeção (n)

A soma do valor presente dos fluxos de caixa futuros e o valor residual resulta no valuation da startup.

6. Método de Avaliação Corporativa Baseado no Cliente

A Avaliação Corporativa Baseada no Cliente, estima o valuation de startups a partir de três pilares importantes para agregar e dar precisão ao valor da empresa: aquisição, retenção e monetização dos clientes.

Após analisar esses três quesitos, os resultados estimados são inseridos nos cálculos padrões de avaliação de fluxo de caixa descontado, gerando o valor estimado de uma startup.

7. Método de Transações Comparáveis

O método em questão traz cálculos de comparativos, sendo amplamente utilizado por startups pelo fato de se basear em empresas que já passaram por transações e têm o seu valor apresentado ao mercado.

Por exemplo, a pessoa à frente da edtech “A”, buscando estimar seu valuation pesquisa sobre investimentos recebidos pela empresa “B”, que atua no mesmo ramo e possui tecnologia semelhante à dela.

Considerando que o produto da startup “B” conta com 100 mil usuários e recebeu um investimento de R$ 20 milhões na última rodada, isso representa um valor médio de R$200 por usuário.

Se a edtech “A” possui 30 mil usuários, o valuation estimado da empresa seria R$ 6 milhões.

Alguns cuidados são necessários para fazer comparações, no entanto. Nem sempre é cabível analisar empresas de perfis e tamanhos muito diferentes ou estimar equivalência em transações de épocas e cenários econômicos distintos do atual, por exemplo.

8. Método de Avaliação de Múltiplos de Mercado

Outro método comumente utilizado por startups que estão dando passos em direção ao primeiro grande investimento. A Avaliação de Múltiplos de Mercado considera as últimas vendas, aquisições e investimentos de empresas semelhantes do mesmo ecossistema.

Trata-se de uma boa forma de avaliar startups por oferecer dimensão da situação atual do mercado e das expectativas do segmento.

Esse cálculo também possibilita fazer comparações a pares e alavancar a negociação utilizando diferenciais competitivos em relação a outra startup já acelerada.

9. Método First Chicago

O Método First Chicago, elaborado pelo banco de mesmo nome (hoje, Chase Bank), levanta três possibilidades de cenários de resultados: um otimista, com o melhor cenário plausível; um realista, com o cenário mais provável; e um pessimista, com o pior cenário possível.

Cada cenário pode ser calculado pelo método de fluxo de caixa descontado, de múltiplos de mercado ou outras metodologias dessa lista.

Após calcular o valor de cada cenário, basta estipular uma probabilidade para cada possibilidade. Vamos ao exemplo:

  • Cenário otimista: R$ 200 milhões | Probabilidade 5%
  • Cenário realista: R$ 40 milhões | Probabilidade 75%
  • Cenário pessimista: R$ 10 milhões | Probabilidade 20%

Em seguida, é feita a média ponderada dos cenários e é determinado então o valuation da startup. No exemplo acima, o valuation da startup seria R$ 42 milhões.

10. Método Venture Capital (capital de risco)

Desenvolvido pela Universidade de Harvard, o Método Venture Capital — ou Capital de Risco, em português — é aplicado no cálculo de valuations de startups que estão há mais tempo no mercado e têm linhas de faturamento bem definidas.

Nessa abordagem, os fatores que entrarão na conta considerarão os objetivos do investidor com seus aportes. O ponto central será o potencial de retorno para o investidor quando pretende realizar a saída – comumente entre 5 e 10 anos.

Deve-se considerar o Retorno Sobre o Investimento (ROI) no período de saída e analisar se os números apresentados pelos founders da startup fazem sentido para esse investimento.

Normalmente, os cálculos de Venture Capital são realizados pelo investidor como verificação de fit em sua carteira de investimentos.


Vale ressaltar que não há “a melhor metodologia”: tudo depende do estágio em que a startup se encontra, o perfil de investimento que procura e o objetivo a longo prazo.

Escolher uma metodologia de cálculo de valuation pode ser desafiador, neste contexto, buscar a ajuda de um assessor pode ser uma ótima alternativa para maximizar o valor do negócio.


A Liga ADVISIA, é a junção da expertise de aceleração de startups da Liga Ventures com a expertise da ADVISIA Investimentos em M&A.


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